quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Vimieiro 2008 - dia 2

Vimieiro
24.08.08

O segundo dia no Vimieiro não podia deixar de ter alguns tons de perda e nostalgia. Irmã Aninha e Irmão Dré Laço iriam partir esta noite, depois do jantar, rumo à infeliz vidinha que escolheram ter em Lisboa. Uns trabalham, outros gozam de um merecido descanso (eheheh)!

Havia que aproveitar ao máximo a presença destes inúteis e gozar o dia em todo o seu esplendor. Apanhar sol, chafurdar na piscina, jogar vólei, etc. Deva-se dizer que esta última actividade conduz sempre ao mesmo resultado: a ida ao quintal vizinho para ir buscar a bola. Sorte a nossa (mais do Pi do que qualquer outro) que ainda não apanhámos um vizinho mal disposto por estarmos a transpor permanentemente propriedade privada. Há lá um cãozinho, ou canito, como se diz por aqui, que ladra mais do que realmente faz o que devia fazer: inspirar o medo.

Foi neste ambiente de alegre convivência que nos apressámos com os banhos e com o jantar (esparguete à bolonhesa) para que os dois Irmãos não se atrasassem a regressar a casa.





Depois de sairem a correr, arrumámos a cozinha e preparámo-nos para mais uma cantoria de Singstar. As bebidas foram preparadas: caipiroskas, BLCs, BLLs, Mojitos, etc. As equipas foram formadas e só não se chegou a partir vidros com tanta desafinação porque não calhou.








Já passavam das 5 da manha quando de fato de banho no corpo nos atirámos à piscina para fazer piscinas, perdoem-me o pleonasmo, como o campeão olímpico Michael Phelps. Não pudémos imaginar que este nosso chinfrim iria perturbar o sono dos vizinhos com ameaças que a Guarda pudesse ser chamada.
O sol está a nascer.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Vimieiro 2008 - dia 1

Vimieiro
23.08.08
A pedido de muitas famílias, para dar notícias, saudades ou, simplesmente, um Olá, aqui retomo o relato de mais umas férias em Irmandade. Mito ou verdade, o não fazer nada alentejano acabou de vez e começa, pois não podia deixar de ser, a narração das aventuras dos inúteis, não uns quaisquer, mas aqueles que neste espaço tão carinhosamente são apelidados. Deixemos de lado todos estes rodeios e sem rodriguinhos comecemos pelas apresentações. Em primeiro lugar, as novidades do batalhão. Recrutada de terras nortenhas, dos confins de Portugal, de Ponte de Lima mais propriamente, da equipa de basket dos Limianos, Inês de Castro, não a dama galega com nome de perdição de reis, mas alguém, tão inútil como nós (se não mais ainda!), que bibe com alegria e veve com bontade. Esta é a segunda. A primeira em título já por estas terras tinha andado. Um ano depois, ao Vimieiro regressámos, para mais uma semana a coçar a barriga com uma competência contagiante.
Novos por estas bandas, não o são menos neste blog. André "Laço", Fi e André "bufunfa" vieram dar uma força extra com a sua significativa presença. De todos os Inúteis, este casal é incansável, presenteando-nos regularmente com um doce que se tem vindo a tornar o seu ex-libris: a Moka - doce de café, chocolate, natas e açúcar. O Laço, jogador da bola, repórter desportivo em part-time e trabalhador (o primeiro de todos nós), tem também aqui as suas primeiras férias em Irmandade. A aquisição do seu passe desportivo foi bastante morosa. As negociações requisitaram uma ida ao Lumiar com jacto particular e uma mala cheia de simpatia e boa disposição para trazer a nós este novo inútil reforço.
O resto dos heróis já os conhecemos: Aninha, Guido, Pi, Guerra, Nuno, Inês Castro, a primeira e Xavi, o narrador, aqui estão apresentados. Em relação à época passada, a equipa está desfalcada. Muita falta faz a Dra do nosso grupo. Dra Mouse, ou Inês Rato, é o seu nome.

A partida de Lisboa, rumo ao calor abrasador do Alentejo, deu-se por volta das 15h, já almoçados, obviamente. A viagem foi fresca e pacífica. Com o desarrumar atabalhoado das compras e das malas, começámos por fazer aquilo que tão bem fazemos: divertir. Jogo de vólei ao final da tarde, mergulhos na piscina e jogos de PES (incautos ignorantes e hereges, atentai a estas palavras e não espereis a salvação por ignorar este jogo de futebol).

Em honra da Irmã Aninha, a primeira refeição seria Picanha na brasa, elaborada pela sua cara-metade, Guido Fósforo-Mestre. O resto da noite foi passado em alegria, com cantilenas ajudadas pela guitarra ou simplesmente com karaoke. Estavam reunidos os rouxinóis para mais uma noite inesquecível. A primeira de muitas que lhe seguiriam.







domingo, 10 de agosto de 2008

Islantilla (A Irmandade)

A Irmandade
31 Jul. - 04 Ago. 08

Tal como rugas na cara contam aquilo que somos, todas as linhas aqui escritas contam as nossas histórias e nada significam se não tivermos a quem as contar. Neste dia chegaram os restantes cavaleiros, honoríficos em título, não o menos de verdade, para se juntarem ao regabofe, pândega, folia, ou folgança, conforme se queira escolher a palavra, sinónimas entre si, caracterizadoras do que se fazia naqueles dias dias no Sul de España.


A chegada dos irmãos Nuno e Inês só veio a proporcionar um forrobodó ainda mais acentuado, porque de resto continuámos todos a realizar as mesmas actividades: jogos de vólei, mergulhos na piscina, etc. Como novidade, realizámos um torneio de PES e outro de Paddle. Perturbado ficou o Irmão Pi, até então se tinha mostrado bem falante e confiante no emprego de novas palavras, logo se começou a engasgar, nerbioso, pela presença do Irmão Nuno, ao que este diz, passando a citar, Só quero fazer de ti um Homem melhor, Ó Perdigão.

Perturbante foi um dia em que umas lontras, estas eram mesmo lontras, se encontravam dentro da piscina, maquelhadas até às orelhas, badalhocas até dizer basta, com os respectivos xunings, desejosos de badalhoquice maquilhada, tudo sob o olhar desatento do nadador salvador com ar de Philadelphia. Até os porcos guincham mais baixo no fabrico de leitões.





No último dia, despedimo-nos da praia e da piscina com mergulhos acrobáticos e parvoeiras em consecutivo.










quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Islantilla (A Cruzada)

A Cruzada
26 Jul. - 31 Jul. 08

Soldados, guerreiros, da nossa terra, juntai a vossa espada à minha e combatamos pela liberdade da nossa Pátria. Algo parecido a isto deve ter sido dito na mítica batalha de 1385, que opôs cerca de 7000 portugueses a 31000 castelhanos. Desta vez, sem a padeira a ajudar, a luta que opunha portugueses e espanhóis 7 séculos depois era outra, a do bom gosto. Reaggatons e xunnings, Anas Malhoas, a torto e a direito, pela bardajice, claro está, pois formas tinham elas muitas e em demasia, mais pareciam o boneco da Michellin, o Bidendum. A solução seria alhearmo-nos deste universo, criando o nosso, ou dar luta. Muitas vezes se ouviu um expressivo Calla-te foca! ou, à semelhança do rei espanhol, um Porque non te callas?.

O diário de guerra, consistia no seguinte: solarengo pequeno almoço, com cereais ou torradas, na varanda do nosso castelo; ida à praia: depois de descobrir um canto para nos deitarmos lá impusemos a nossa guerreira presença com um jogo de vólei ou com raquetes de praia; na hora de maior calor era necessário recarregar baterias, mas sem abusar, porque adivinhava-se um regresso à praia ou uma ida à piscina. Os almoços das tropas, a ração de combate, consistiam no seguinte: salada, ovos mexidos, cozidos ou estrelados, salsichas, tostas, baguetes, patê de atum, etc.





Bem preparados para a luta que se avizinhava, regressávamos à praia pela tardinha, onde ocupávamos o nosso tempo: a ler, a dormir, a jogar vólei ou raquetes (outra vez), a fazer lançamentos com a bola de rugby, a dar uns toques de maneira a descobrir o Cristiano Ronaldo que existe em cada um de nós, fazer umas corridinhas pela praia, ...No meio deste não fazer nada, até se fez qualquer coisinha, dependendo do ponto de vista.

Já chega de praia! Está na hora do regresso ao castelo e, sem esperar por mais, dar um mergulho na piscina, claro está, o calor ainda aperta e a visão de estar estendido numa espreguiçadeira é, de facto, uma certeza a vir a ser realizada. Bombas, mergulhos acrobáticos, amonas, piadas e risadas. Nos dias menos intensos ainda sobraram forças para um joguinho de Paddle, modalidade parecida ao ténis em que as paredes também jogam.

Já eram 10 da noite, hora local, quando começávamos a jantar. Depois do banho, seguiam-se uns aperitivos, marisco, há quem lhe chame, tremoços de seu nome. Regados a imperiais e a um, ou mais, Martinis Rosso, eram um tónico e um refresco especial às quentes noites que se punham. À refeição elaboraram-se as mais requintadas e exóticas iguarias, refeições de combate para saciar os exigentes estômagos, tais como: costeletas com massa e molho de tomate, hamburguers e arroz de tomate, bifes, do lombo, do lombo, burritos, tacos, carne picada, etc. Se a necessidade assim o impunha, e impôs-se, lá seguimos rumo a uma refeição variada, pizzas, podia ser.

De volta a casa e depois de um geladinho, chocolatE, fresa e vanilla, nada como acabar o dia a ver um filme. Amanhã chegariam mais reforços para o combate.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Islantilla (A Epopeia)

A Epopeia
25 Jul. 08

Eis que este blog volta ao activo para mais um relato das aventuras dos Inúteis mais queridos de toda a história da Inutilidade, numa narração arrebatadora, apaixonada e emocionante, de todas as acções heróicas e grandiosas, das peripécias, das gaffes e fait divers que preencheram os 10 dias vividos em Islantilla. A sul de Espanha, ou España, caso o emprego da língua assim o requeira, esta localidade onde El Jámon é rei e o xunning a moda, pode ser considerada, citando as palavras da Irmã Fi, A Cascais cá do sítio, em que Cá do sítio não é nem mais, nem menos, do que La Antilla, uma antiga vila de pescadores rudes de maneiras, pero generosos de coração.

Como a viagem turística, falada em mau espanhol, não pode ser começada pelo destino, retornemos ao ponto de partida desta jornada, em tons de um clássico homérico, dividido em cantos, partes ou capítulos, divisórias diferentes em sílabas, mas de missão semelhante, usadas caso o era, século ou milénio em que se esteja.

Embora parecesse nublado
Não era uma manhã de nevoeiro,
E sem esperança n'O Desejado,
Partimos com algum formigueiro.

Como nos tempos que correm não dá jeito perder tempo, deixemos então esta antiga maneira de relatar, daremos então um salto no tempo e na maneira de narrar. Sem mais rimas a usar, naquela carrinha Honda, barca de rio, seria pejorativo dar-lhe esse nome, pois a ocasião não é para menos, então será apelidada de galeão, espanhol por fama e proveito, galeão português pela bravura de quem transportava. Não com Américas por descobrir, mas com mira à Andaluzia, seguimos, céleres, ofegantes por riqueza, de espírito, que a outra estará por ganhar.

Apesar da grandiloquência do discurso, não se devem esquecer as apresentações. Heróis não os existem, são forjados pela necessidade, e assim se chamam de anti-heróis. Os desta história, que noutras já foram invocados, são cavaleiros em título, vindos das trevas da Parvónia, toda a gente o sabe. Aqui ganharão outra luminosidade, em grande estilo serão invocados por Ó Pessoa, não confundir com o poeta. São chamados, Ó marinheiros d'água salgada, Pi, André e Nuno. E vós tágides, Fi e Inês, tendes em mim um novo engenho ardente. Tomarei o lugar de narrador e a palavra para descrever aquilo que sucedeu. Feijão-Mestre, me apresento.

Galeão atracado, carga descarregada, atabalhoada como qualquer chegada, era só olhar. Já se dizia Quem tem olho em terra de cegos é rei, melhor remédio não pode haver do que Ver para crer. Lá estou eu a rimar, mas de sufocados pelo calor seguimos com aquele ar, a caminho da velha vila, atenção ao uso do adjectivo, pejorativo aqui calhou bem, coitados dos velhos. A pretender matar a fome marchou um hamburguer do Lino's, como se ela se contentasse com tão pouco, seguimos às compras. Do Carrefour voltámos, com as merendas, lanches e banquetes, a fazer, claro está, que a ocasião não era para festas, ainda, pois acabámos de chegar.

Calem o bardo, trompas e trompetes, que a ode cesse por instantes. É tempo de mergulhar e dar um ar da nossa graça, pois já de si não é tanta.




Depois vieram as limpezas, necessárias por necessidade, perdoem-me o pleonasmo, como porcos não poderíamos viver, condição mais baixa da natureza humana, pingo de dignidade ainda nos restava, pudera, era o início. No entanto, soltou-se a frase A gente somos animais todinhos, exclamação liberta entre o abrir e fechar de boca e tentativas de fuga do bolo alimentar. A primeira frase de muitas a vir, um ponto para o Perdigón.

Foi com algum arrebatamento que elevado à posição de Chef, Irmão André Buffon-Bufunfas, dominou a cozinha e presenteou os seus companheiros de aventuras e irmãos de armas com um manjar, o primeiro, sem cerimónias, pois a necessidade assim o impunha. Bifinhos grelhados acompanhados por arroz, batatas e salada, esta última obtida por uma antiga receita, passada de geração em geração e de boca em boca, assim o saber se propaga.

Após tudo arrumado, os bravos descobridores escapuliram-se e assentou-se-lhes o merecido descanso.